domingo, 21 de setembro de 2014

não vá, não

é que, quando você vai embora,
só sobro eu só.
soçobro sozinho
sem sombra,
sem vento,
sem dó.
dá um nó na garganta
que me engasgo com a dor
do pudor de pedir:
não vá, não.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

desequilíbrios de um equilibrista

trôpego, caminhava, desastrado, caía. bêbado, sorria, cambaleando, avançava. desequilibrado, equilibrava.
e aos trancos e barrancos, entre abismos e picos, nem tão pobre ou rico, em meios aos tantos, aos tipos desequilibrados, equilibrava.
a meio passo, à meia altura, à meia pressa, meio fosco fulgura desequilibrado equilibrista.

terça-feira, 15 de abril de 2014

ensaio de ensaios

e eu, por vezes, ensaio dizer o que penso, o que sinto e estou propenso a mudar e me calo. e eu me acho e me saio, me entro e retraio, à medida que caio em terreno vulgar. e me dano. e eu, por vezes, ensaio atuar de outro jeito, escolher outro meio de tentar olvidar. e me engano. e, então, me canso e me deito e carrego comigo o pudor do respeito de um fracassado improviso. e me acabo.